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Contando a história da gente que fez a Embrapa

by chagas — last modified 06/02/2009 08:39

Entrevistas buscam manter o máximo de fidelidade.

05/02/2009

"Quem constrói a instituição são as pessoas”. Com estas palavras, a geógrafa Gisela de Avellar, uma das autoras do livro “Novas Trilhas do Sertão – História da Pesquisa Agropecuária em Sete Lagoas: das origens à Embrapa”, define a importância do resgate da história da instituição não só por meio de fontes documentais – consideradas por ela como “mudas”, já que não transmitem os acontecimentos em um momento da história – mas também a partir da oralidade, de relatos de personagens com vivências extremamente ricas que, em sua essência, são a própria instituição.

Conhecendo o trabalho


O trabalho de história oral iniciado na Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) como uma das ações do programa Re-Conhecer, de preparação para a aposentadoria (www.cnpms.embrapa/reconhecer), consiste na coleta de informações a partir de entrevistas gravadas e posteriormente recuperadas, procurando manter o máximo de fidelidade na interação entre entrevistador e entrevistado. “O ponto de partida de escolha dos entrevistados é selecionar colegas e ex-colegas que trazem consigo uma dimensão humana, um ‘olhar’ comprometido com a organização. Aliás, esta é a parte mais difícil, pois na Unidade esse é o perfil que predomina no grupo”, expõe.
Gisela é uma entusiasta do assunto. Além de coordenar o Projeto Memória na Embrapa Milho e Sorgo, ela compõe o grupo de História Oral. Em 2008, a Unidade proporcionou aos amantes desse tipo de trabalho um treinamento em fundamentos de metodologia de História Oral. Hoje, diversas entrevistas já foram realizadas, sendo que o grupo tem se mobilizado para entrevistar os colegas que estão se desligando da Empresa via aposentadoria ou PDI. “A trajetória histórica da Embrapa possui uma farta documentação escrita, fácil de recuperar, mas a dimensão humana, uma história de ‘sujeitos’, ainda precisa de um grande esforço”, explica.

História de vida


Um dos colegas entrevistados foi Olímpio Pereira de Oliveira Filho, que se desligou da Unidade em novembro deste ano. Fotógrafo, mais conhecido como Pio, ele e toda sua família têm uma forte ligação com a Embrapa desde antes a época do IAO (Instituto Agronômico do Oeste), uma das instituições que deram origem à Empresa. “Meu avô já trabalhava por aqui desde 1915. Depois, meu pai começou a trabalhar na Fazenda Pontinha que daria origem ao IAO em 1925. Nasci em 1953 e aos 13 anos comecei a trabalhar na oficina. Passei pelo Ipeaco (Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Centro-Oeste) e, em 1974, fui contratado pela Embrapa para exercer a função de fotógrafo”, lembra.
Para ele, todas as Unidades deveriam promover esse resgate. “A Embrapa não pode deixar sua história escapar. Pessoas que já estão muito idosas e todos os empregados que estão se desligando poderiam contribuir. Temos vivências que podem render mais dois ou três livros”, diz. O projeto de História Oral na Unidade inclui a atualização do livro e a produção de publicações específicas a partir dos relatos. Outra contribuição, segundo Gisela, é a utilização do conteúdo no planejamento da Embrapa Milho e Sorgo para os próximos anos, estratégia que já vem sendo utilizada pela chefia da Unidade.

 

VIANA, Gulherme Ferreira. Contando a história da gente que faz a Embrapa. Folha da Embrapa, Brasília, ano XVI, n. 120, p. 11, dez. 2008.